Ransomware e Sequestro de Dados na Saúde: o risco que pode paralisar sua operação
- Alessandra Calisto Piloto

- há 4 dias
- 3 min de leitura
O setor de saúde tornou-se um dos principais alvos de ataques de ransomware e sequestro de dados no mundo. Não por acaso: informações médicas são altamente sensíveis e, muitas vezes, protegidas por estruturas de segurança frágeis.
Hospitais, clínicas, operadoras e healthtechs seguem no topo da lista dos cibercriminosos. Um único ataque é capaz de paralisar sistemas assistenciais, interromper atendimentos, expor dados de pacientes e gerar passivos regulatórios relevantes, especialmente à luz da LGPD e da atuação cada vez mais firme da ANPD.
Por que a saúde se torna alvo preferencial?
Os números ajudam a entender o cenário.
Em 2025, o setor de saúde registrou 445 ataques de ransomware a provedores, um leve aumento em relação aos 437 de 2024, totalizando 636 incidentes incluindo empresas relacionadas.
Previsões indicam que mais de 40% dos sistemas de saúde serão afetados por ransomware até o fim de 2026, impulsionado por vulnerabilidades em organizações menores. No Brasil, grupos como KillSec atacaram fornecedores de TI para saúde, como a MedicSolution, roubando 34 GB de exames e prontuários em 2025.
O risco deixou de ser “se” o ataque vai acontecer. A pergunta agora é quando — e se a instituição estará preparada.
O alto valor dos dados de saúde na dark web
Dados médicos completos estão entre os ativos mais valorizados no mercado ilegal. Diferentemente de um cartão de crédito, que pode ser cancelado, informações de saúde são permanentes: histórico clínico, diagnósticos, exames, dados genéticos e informações pessoais.
Por isso, registros médicos podem valer múltiplas vezes mais do que dados financeiros, sendo usados em fraudes contínuas, golpes contra pacientes, extorsões, fraudes em seguros e até chantagens direcionadas. No contexto brasileiro, esse tipo de vazamento também alimenta litígios judiciais e danos reputacionais difíceis de reverter.
LGPD e o papel da ANPD: o risco regulatório é real
Do ponto de vista jurídico, o impacto de um ataque vai muito além da multa por vazamento. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) considera dados de saúde como dados pessoais sensíveis, exigindo medidas técnicas e administrativas robustas.
A LGPD prevê multas de até 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração, além de sanções como publicização do incidente, bloqueio ou eliminação dos dados até a suspensão do tratamento.
Auditorias recentes já demonstraram que falhas básicas, como ausência de criptografia, controle de acesso inadequado e inexistência de plano de resposta a incidentes, agravam significativamente as penalidades.
Em outras palavras: sofrer um ataque sem ter feito o “dever de casa” em segurança da informação custa muito mais caro.
Medidas mínimas que a ANPD espera das instituições de saúde
A autoridade reguladora não exige soluções futuristas, mas sim controles básicos bem implementados, como:
políticas claras de segurança da informação
backups regulares e testados, preferencialmente offline
firewalls e antivírus atualizados
autenticação multifator (MFA/2FA)
controle de acessos por perfil de usuário
plano de resposta a incidentes e gestão de crise
A ausência dessas medidas é interpretada como negligência, o que pesa diretamente na responsabilização da instituição.
Compliance digital: proteger dados é proteger o negócio
Compliance digital não é apenas documentação ou exigência legal. É garantia de continuidade operacional. Em saúde, um sistema fora do ar significa cirurgias canceladas, exames interrompidos, risco ao paciente e perdas financeiras imediatas.
Instituições que investem em governança digital, segurança da informação e compliance conseguem responder mais rápido aos incidentes, reduzir danos, preservar a confiança do paciente e evitar sanções regulatórias severas.
Para 2026, tratar segurança da informação como pauta estratégica será um diferencial competitivo.
A Compliance Saúde apoia instituições de saúde na estruturação de Compliance Digital, LGPD, gestão de riscos e planos de resposta a incidentes, com foco prático e aderente à realidade do setor.
📩 Agende um diagnóstico e descubra se sua operação está preparada para enfrentar o próximo ataque, antes que ele aconteça.


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