O que a 46ª Reunião Técnica da COSAÚDE revela sobre riscos, tendências e impactos imediatos para instituições de saúde
- Alessandra Calisto Piloto

- 27 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
A 46ª Reunião Técnica da Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos da Saúde Suplementar trouxe debates densos, cifras altas e, principalmente, sinais claros de como a regulação assistencial da ANS está caminhando para um modelo mais exigente, mais técnico e financeiramente mais rigoroso.
Para hospitais, clínicas, operadoras e empresas da saúde, há pontos de atenção que podem se transformar em riscos concretos — regulatórios, financeiros e até reputacionais — caso não haja monitoramento próximo e preparação estratégica.
A seguir, os destaques mais relevantes para quem precisa tomar decisões baseadas em evidências, previsibilidade e sustentabilidade.
1. Um novo precedente regulatório: Termo de Compromisso com desconto formalizado
A grande novidade foi a incorporação do Dupilumab, acompanhada de um mecanismo inédito: o Termo de Compromisso firmado entre ANS e fabricante para oficializar descontos.
Esse movimento cria um divisor de águas.
Para operadoras, o Termo oferece uma chance real de previsibilidade financeira, reduzindo incertezas e permitindo simulação mais precisa do impacto das tecnologias de alto custo.
Para a indústria, abre-se uma porta para negociações mais estruturadas e alinhadas à vigência regulatória.
Para instituições de saúde, o mecanismo pode influenciar direta ou indiretamente contratos, margens e decisões de prescrição.
Trata-se de um precedente que tende a se repetir — e quem não acompanha perde vantagem competitiva.
2. Terapias anti-IL23 para Retocolite Ulcerativa: entre lacunas clínicas e impactos econômicos
As UATs 167 (Guselkumab) e 172 (Risankizumab) mostraram um debate técnico e econômico sobre uma lacuna terapêutica real: pacientes com RCU moderada a grave que não respondem adequadamente ao tratamento atual.
Pontos sensíveis discutidos:
Demanda médica não atendida — parte dos pacientes falha às terapias existentes, reforçando a justificativa clínica.
Concorrência e autorregulação de mercado — incorporar diferentes moléculas da mesma classe pode reduzir preços e ampliar acesso.
Descontos oferecidos — o Risankizumab apresentou desconto de 15% na indução, mas que, na prática, reduz apenas 11,54% no primeiro ano.
Prática clínica real — doses de bula são raramente utilizadas em pacientes graves; a otimização terapêutica aumenta custos reais que nem sempre aparecem nas análises econômicas.
Dessa forma, as Operadoras precisam avaliar cenários de uso real e instituições assistenciais devem se preparar para ampliar o arsenal terapêutico e ajustar protocolos clínicos.
3. Enzalutamida para câncer de próstata: evidência madura, custo elevado e necessidade de DUT clara
A nova submissão da enzalutamida trouxe uma atualização crucial: agora há dados robustos de sobrevida global, com redução de risco de morte em 40%. Isso muda o patamar da discussão.
Mas o impacto econômico permanece expressivo:
ICUR: R$ 133 mil por AVAC.
Impacto orçamentário: R$ 475,6 milhões em 5 anos.
Regulação assistencial: ANS e operadoras alertaram para a necessidade de uma DUT clara, com critérios objetivos de elegibilidade e interrupção.
Para o setor privado, o efeito é ambíguo: custo elevado agora, potencial economia futura ao evitar progressão para metástase — uma das fases mais caras e críticas da oncologia.
4. Cabozantinib para Tumores Neuroendócrinos: eficácia robusta, população pequena e custo alto
Os Tumores Neuroendócrinos (TNE) são raros, e a falta de opções torna o cabozantinib muito relevante, especialmente após diversas linhas de tratamento.
Pontos decisivos:
Redução de 62% a 77% no risco de progressão.
População elegível pequena: cerca de 124 pacientes/ano.
IO de R$ 270 milhões em 5 anos.
Dose real menor que a de bula, o que pode reduzir custos na prática. O desafio regulatório é equilibrar evidências fortes de eficácia com alto custo por paciente — tema que afeta diretamente operadoras e hospitais que tratam casos raros e complexos.
O que tudo isso significa para seu negócio?
A cada reunião técnica da COSAÚDE, fica mais claro: os riscos para instituições que não acompanham esse movimento aumentam exponencialmente:
Riscos financeiros por impacto de terapias de alto custo.
Riscos regulatórios por DUTs pouco claras ou mal implementadas.
Riscos operacionais por falhas no entendimento de critérios de elegibilidade.
Riscos reputacionais por adoção equivocada ou indevida de tecnologias.
E o cenário fica ainda mais desafiador porque a COSAÚDE discute dados clínicos, métodos econômicos, cálculos de impacto e detalhes contratuais que demandam interpretação técnica sofisticada.
Como um profissional especializado consegue ajudar?
A cada reunião técnica, novas incertezas surgem. E incerteza, no setor de saúde, vira risco.
O que a Compliance Saúde oferece responde exatamente a essas dores:
✔ Diagnóstico e Avaliação de Riscos — identificando onde políticas internas, prontuários, protocolos assistenciais e processos regulatórios podem ser impactados pelas mudanças do Rol.
✔ Programa de Compliance na Saúde — preparando instituições para lidar com exigências da ANS, ANVISA e conselhos de classe.
✔ Gestão de Riscos e Monitoramento — criando indicadores (KPIs/KRIs) para antecipar impactos econômicos e regulatórios.
✔ Treinamento do corpo clínico e gestores — entendendo critérios de DUT, uso correto das
tecnologias e mitigação de glosas clínicas.
✔ Governança e tomada de decisão com segurança técnica.
Em médio prazo, instituições sem acompanhamento especializado podem enfrentar: precificação inadequada, protocolos incompatíveis com novas DUTs, risco de negativa indevida, risco de glosas, risco de judicialização e perda de reputação por falhas de compliance assistencial.
Conclusão: cada reunião da COSAÚDE é uma antecipação do futuro e um mapa de riscos
A 46ª Reunião Técnica deixou um recado claro: o mercado está mudando rápido; os custos estão aumentando; os critérios clínicos estão se tornando mais rigorosos. E a ANS está cada vez mais técnica e exigente.
Para sobreviver com qualidade, segurança e sustentabilidade, as instituições precisam traduzir essas decisões em impacto real no seu dia a dia.
É aqui que o acompanhamento de um especialista faz a diferença. Interpretar, traduzir, aplicar e orientar.
Se sua instituição precisa entender como essas decisões podem afetar custos, riscos, protocolos ou contratos, este é o momento de buscar apoio estruturado.
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