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Burnout e Segurança do Paciente: quando a exaustão da equipe vira erro assistencial e prejuízo financeiro

  • Foto do escritor: Alessandra Calisto Piloto
    Alessandra Calisto Piloto
  • há 20 horas
  • 3 min de leitura

Janeiro Branco chama atenção para a saúde mental. Para instituições de saúde, porém, esse tema vai muito além do cuidado individual: burnout é risco assistencial, jurídico, reputacional e financeiro. Em hospitais, clínicas e laboratórios, equipes exaustas afetam diretamente a segurança do paciente e a sustentabilidade da operação.


Estudos internacionais mostram que profissionais de saúde com burnout dobram o risco de incidentes assistenciais, como falhas de comunicação, erros de medicação e não adesão a protocolos clínicos. Uma meta-análise com mais de 42 mil médicos associou burnout a aumento significativo de eventos adversos evitáveis.


Em um setor cada vez mais regulado, esse cenário deixa de ser apenas um problema de RH e passa a ser uma pauta central de compliance e gestão de riscos.


A matemática dos erros: quando a exaustão vira custo


Burnout impacta diretamente a performance clínica. Profissionais exaustos apresentam maior propensão a erros de dosagem e prescrição, falhas em procedimentos, atrasos na tomada de decisão, comunicação ineficiente entre equipes, entre outros problemas.


Esses erros aumentam o tempo de internação, elevam custos assistenciais e frequentemente resultam em glosas por permanência prolongada, inconformidades técnicas ou eventos adversos graves.


No Brasil, estima-se que 1 em cada 6 profissionais de saúde apresente níveis elevados de burnout.


Globalmente, a Organização Mundial da Saúde calcula perdas superiores a US$ 300 bilhões por ano em produtividade associadas a transtornos relacionados ao trabalho.

Ou seja: o impacto é clínico, mas também contábil.


Burnout como passivo trabalhista e jurídico


Desde 2019, o burnout é reconhecido pela OMS na CID-11 (QD85) como fenômeno ocupacional. Na prática, isso amplia a responsabilidade das instituições. Quando caracterizado o nexo entre exaustão, jornadas excessivas, metas abusivas ou ambientes tóxicos, o ônus probatório recai sobre o empregador.


As consequências incluem:

  • indenizações trabalhistas que variam de R$ 5 mil a valores superiores a R$ 150 mil, conforme a gravidade

  • ações regressivas do INSS

  • autuações do Ministério Público do Trabalho

  • afastamentos prolongados, alta rotatividade e perda de capital humano


Para redes hospitalares, esses custos facilmente atingem cifras milionárias ao longo do tempo.

Compliance além do papel: governança de pessoas e segurança assistencial

Instituições maduras já compreenderam que compliance não se limita a normas anticorrupção ou combate à fraudes. Ele precisa alcançar a governança da força de trabalho.


Um programa de compliance efetivo contribui para a prevenção do burnout ao:

  • estruturar canais de denúncia independentes para assédio e sobrecarga

  • apoiar na padronização protocolos assistenciais, reduzindo a carga cognitiva das equipes

  • alinhar compliance, ouvidoria e liderança clínica

  • criar ambientes onde o erro é tratado como risco sistêmico, não como culpa individual


Esse conjunto de medidas reduz eventos adversos, melhora a retenção de talentos e fortalece a cultura de segurança do paciente. Cuidar da equipe é proteger o paciente


Em 2026, instituições de saúde serão cada vez mais cobradas por resultados assistenciais, eficiência operacional e governança. Ignorar o fator humano significa aceitar riscos que não aparecem nos demonstrativos financeiros, mas que emergem em forma de erros assistenciais, glosas recorrentes, processos judiciais, perda de reputação, entre outros problemas.


Cuidar da saúde mental da equipe não é apenas uma pauta social. É uma estratégia de compliance, sustentabilidade e proteção financeira.


  • Sua instituição já mapeou os riscos assistenciais e trabalhistas relacionados à exaustão das equipes?

  • Os processos internos sustentam a segurança do paciente ou dependem do esforço excessivo das pessoas?


Nosso trabalho é ajudar instituições de saúde a identificar esses pontos cegos por meio de diagnósticos de riscos jurídicos, regulatórios e operacionais, transformando fragilidades invisíveis em planos de ação concretos.






 
 
 

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