Por que o Compliance será o fiel da balança para a sobrevivência das instituições de saúde em 2026?
- Alessandra Calisto Piloto

- há 22 horas
- 3 min de leitura
Durante muitos anos, o crescimento do setor de saúde esteve apoiado em uma lógica conhecida: expansão por volume. Mais atendimentos, mais exames, mais procedimentos. Esse modelo entrou em esgotamento.
Os dados de 2025 mostram que o sistema como um todo passou a operar sob forte pressão de eficiência, exigindo maturidade de gestão tanto de operadoras quanto de prestadores.
A sinistralidade das operadoras médico-hospitalares atingiu 81,9% entre janeiro e setembro, o menor patamar desde 2021. Esse movimento trouxe fôlego financeiro para o sistema, mas também reorganizou a alocação de riscos ao longo da cadeia, exigindo maior rigor operacional, contratual e assistencial.
O resultado foi um ambiente mais técnico, menos tolerante a falhas e com foco crescente em governança, previsibilidade e controle.
Pressão econômica compartilhada: o risco precisa ser gerenciado
A redução da sinistralidade foi impulsionada (redução de 2,4 pontos percentuais em 2025), em parte, por reajustes de mensalidades e estratégias de controle assistencial. Ao mesmo tempo, as despesas em saúde seguem elevadas, pressionadas por tecnologia, judicialização e envelhecimento populacional.
Nesse cenário, cresce a necessidade de processos mais robustos, tanto do lado das operadoras quanto dos prestadores.
Estudos da Anahp indicam que as glosas iniciais chegaram a cerca de 15% no segundo trimestre de 2025, sendo que apenas uma pequena parcela se sustenta tecnicamente após auditoria. Isso revela não apenas divergências financeiras, mas falhas de processo, comunicação e documentação ao longo do ciclo assistencial.
É aqui que o compliance atua como elemento de equilíbrio: reduzindo ruídos, organizando fluxos, melhorando a qualidade da informação e diminuindo conflitos desnecessários entre as partes.
Eficiência deixou de ser diferencial. Virou pré-requisito.
A lógica do Value-Based Healthcare, adotada em apenas 10% dos hospitais brasileiros de acordo com a pesquisa da IBRAVS, avança de forma gradual no Brasil, exigindo que decisões clínicas, administrativas e financeiras estejam cada vez mais conectadas.
Ineficiências antes absorvidas pelo sistema — como exames redundantes, falhas de registro, protocolos inconsistentes ou ocupação inadequada de leitos — passaram a gerar impacto direto na sustentabilidade das instituições.
O compliance assistencial ajuda exatamente nesse ponto: padroniza processos, audita desfechos, fortalece registros clínicos e cria lastro técnico para o faturamento, reduzindo riscos regulatórios e financeiros.
Glosas e conflitos contratuais: sintoma de processos frágeis
Glosas técnicas e administrativas continuam representando um volume expressivo de recursos no setor. Em grande parte, elas não decorrem de má-fé, mas de desalinhamento operacional, falhas documentais e interpretações divergentes de contratos.
Instituições que investem em compliance conseguem:
melhorar a qualidade do faturamento
reduzir retrabalho
fortalecer a posição técnica em auditorias
antecipar riscos de descredenciamento
profissionalizar a relação com as fontes pagadoras
O ganho está em previsibilidade e estabilidade, algo cada vez mais valorizado por operadoras e prestadores.
Reputação e maturidade institucional
Governança, integridade e proteção de dados deixaram de ser pautas acessórias. Hoje, são critérios de decisão para credenciamentos, parcerias estratégicas, acesso a investimentos e relacionamento institucional.
Tanto operadoras quanto prestadores são cobrados por transparência, controles internos e cultura ética. Programas de compliance bem estruturados fortalecem o diálogo regulatório, reduzem riscos reputacionais e demonstram compromisso com a perenidade do sistema.
O setor de saúde caminha para um modelo onde processos bem estruturados valem tanto quanto volume. Compliance passa a ser ferramenta de gestão, capaz de traduzir normas complexas em decisões mais seguras, eficientes e sustentáveis.
A pergunta que gestores deveriam se fazer agora não é apenas sobre crescimento, mas sobre preparo:
Os riscos regulatórios da sua operação estão mapeados?
Seus contratos, fluxos e registros sustentam tecnicamente suas decisões?
Sua instituição está pronta para um ambiente mais exigente e menos tolerante a falhas?
Por meio de diagnósticos de riscos jurídicos, regulatórios e operacionais, ajudamos instituições de saúde a enxergar vulnerabilidades invisíveis no dia a dia, antes que elas se transformem em prejuízo, conflito ou sanção.
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